Aqui, lê-se, drama e doçura.

Aqui, lê-se, drama e doçura.

Códigos e expressões em forma de linguagem;
não há sopros que empurrem o submerso, há submersão para dar voz ao sopro.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Sorte

Resolvi passar por cima de tudo o que me faz estagnar. Sou um corpo que anda sem rumo, vejo os transeuntes e admiro-os de longe. Até quando olhar as almas alheias e encher-me de nostalgia me faria bem? Chutei-os de meus horizontes e fico cá, comigo, sozinha, com minhas percepções sem dar espaços para simpatia e para a opinião que me aflige. Trago meu recado: Suportem-me, pois não terei mais que fugir.

Dando brilho as minhas artimanhas.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Clichê (?)

Nasce o bonito, que é interrompido pelos rancores e amarguras do mundo. Assim estende-se até que o belo ponha-se de volta ao seu lugar, no fim. Caminhos percorridos foram jogados fora, pois são lembranças má vividas e aproveitadas. Dizem-me que citar essas dores de todo o trajeto da vida é ser clichê, e falam que é difícil falar do pouco doce e sereno que aparece entre os buracos dessas angústias. Tachem-me. O quanto piegas eu for, sempre fui sentimental. Nunca dei valor à razão.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Renúncia

Desculpa, soberano, se te entrego meu pranto, e te nego meu riso. Dou de bandeja este rio, que nunca cessará, apenas se encherá. Pobre alma minha que finge ser um grande pássaro quando não passa de andorinha. Pobre daquele que complica o comum, que vê o mundo, mas não enxerga, que escuta, mas não ouve. Não ouve passos finos e acanhados, que andam vagarosamente entre as poças da chuva. E os passos chegam lentamente, para assustar o coração.
Desculpa, soberano, se emudeci minha voz e calei meus sentidos em prol do tempo. De tanto espanto e agonia, ceguei meus olhos e aqui me entrego, pedindo cuidados e proteção. Desculpa, soberano, se sem forças para ser espada, virei escudo.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Antes do sol acordar
devo de um segredo
lembrar.

Todos os dias
fazer - um sorriso
nascer,
e mudar -
o ponteiro do relógio
correr.

Caminhar só de ponta a ponta
de Salva
a
dor
ao - ou
Para(r)
ná - lá.

E com essas atadas mãos
reconhecer a alegria
de um dia de verão
- dando socos na opressão.

onde o sol nasce pelo natal,
acorda
e contagia,

de segredos da alegria
quando as nuvens voltam a chorar
o sol volta ao seu lugar.
E dorme.



Pontos totalmente jogados ao ar, sem muitas conexões e palavras despojadas. Certamente não estou nos meus melhores momentos, apenas um esboço de quem sente saudades do sentir e transcrever.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Chove

A chuva vem das impurezas, águas que caminham por este chão - frio e sujo. Essa mesma chuva limpa os males - imundos males. Paradoxal.

domingo, 23 de outubro de 2011

Nem mil passos largos.

Nem mil passos largos fariam aquele garoto chegar em seu destino, um destino tão invejado e sonhado durante anos. O garoto tanto percorreu que se espantou ao perceber os altos contrastes da confusão que fez. 'Não perca o ânimo, não dê a volta', gritava a cada passo dado, mas sua voz foi perdendo fôlego e ânimo. Parou de correr.
Novos sentimentos preencheram aquele menino, sem fé e mapa, não sabia para onde ir. Onde, pois nem mais um passo será dado, sem mais movimentos. Sem mais colocações, sem 'a', sem "ah" ou sem "há". Perdeu-se do vento e nem mais sabia contar no relógio o tempo perdido com suas alucinações. Tempo este que o castigou, pois só destruiu o menino de lamúrias ao saber que sua busca havia limites, limite de tempo. Ingênuo e infantil, não sabia sonhar sonhos de gente grande, que o mundo não pára de girar para ele correr a fim de alimentar suas loucuras, ou pensamentos. O real motivo de tanto esforço ainda é um mistério. E o tempo passa. Passa. E passou.
Sentou-se em algum lugar e perdeu o ânimo. Não há mais milhas ou kilômetros, pois suas pegadas já foram apagadas. Nem mil passos largos o fariam voltar à vida, com sonhos e emoções, pois mil passos largos já foram dados; para trás. E caiu. Caiu do penhasco e não há mais volta. Nem se desse novos mil passos largos.

domingo, 2 de outubro de 2011

Proteção

Não sofra mais, pois em seu coração ainda moro. E se chora, corta-me a pele, o salgado de suas lágrimas passa entre as feridas e deixa cicatrizes. Distancia-se de mim porque não me ouve, porque não gritei o suficiente. Antes fosse se tivesse hoje sem voz. Mesmo assim, ainda ouço as batidas do seu coração e sussurro poemas para que se acomode ao conforto, e as satisfações da vida.
Não corra mais, seu sistema nervoso denuncia seu medo. Seu medo me empurra para longe. Se corre, foge de mim. Não corra, pois pode cair e se machucar. No caminho há estradas falsas, com buracos escondidos. Se você se machuca, pode me matar. E aqui estou eu, arriscando-me a andar na sua frente, para que não caia em passos falsos, iluminando caminhos escuros.
Sei manusear os dedos para acariciar seus cabelos e te proteger do mal. Insistem em te incomodar, e protegerei seus sonhos, assim, não acordará assustado durante a noite. Se você se assusta, eu choro. E se eu choro, perco minha esperança de te proteger. Mas a minha teimosia é forte, e o meu carinho grita que devo cuidar de você. E logo a esperança brilha, cada vez mais forte. Sempre estou seguindo-a, assim, haverá mais uma chance de voltar à vida.
Mesmo que seja impossível desenhar as letras, mesmo que haja murmúrio dos sofridos, um pássaro perdido, uma gaiola solta ou um pensamento morto, ainda assim vou te proteger. Proteger é cuidar e cuidar é amar.