Desculpa, soberano, se te entrego meu pranto, e te nego meu riso. Dou de bandeja este rio, que nunca cessará, apenas se encherá. Pobre alma minha que finge ser um grande pássaro quando não passa de andorinha. Pobre daquele que complica o comum, que vê o mundo, mas não enxerga, que escuta, mas não ouve. Não ouve passos finos e acanhados, que andam vagarosamente entre as poças da chuva. E os passos chegam lentamente, para assustar o coração.
Desculpa, soberano, se emudeci minha voz e calei meus sentidos em prol do tempo. De tanto espanto e agonia, ceguei meus olhos e aqui me entrego, pedindo cuidados e proteção. Desculpa, soberano, se sem forças para ser espada, virei escudo.
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