terça-feira, 6 de setembro de 2011
Poesias pintadas por aranhas que recitavam poemas quadrados
Ela cresceu. Cresceu desenhando nomes e escrevendo trilhos não traçados, rabiscou algumas retas, mas correu entre curvas. Cresceu virando-se contra o cubismo europeu, pondo os pés para o alto, querendo andar no teto, sua vida era de cabeça para baixo. Pintava poemas, flores e aranhas. Aranhas que se voltavam muitas vezes contra o mundo e embolavam-se em suas próprias teias na esperança de pegar comida. Rendiam-se ao plano falho e por lá ficavam. Caiam ser forças ao chão e seguiam cambaleando pelos caminhos afora. Sem força, sem energia, sem poesia. Vive-se poesia, respira-se poesia; e no embriagar dos dedos, ela deixa que, manipulada por suas tortas pinturas e embolada pelas teias de suas aranhas, faça de simples personagens de tintura, pessoas reais, transformando as letras rabiscadas em mundos curvos.
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