domingo, 7 de agosto de 2011
Póstumo.
Pequenos pedaços de papel que dançam com os ares, mostram o sereno que chega de mansinho, invisível, quase nem se sente. Figura póstuma da dor, uma noite pacata. Depois do choro sempre há o silêncio, do riso, fica o eco e as lembranças, que são jogadas fora depois, ao relento, e transbordam entre as cores do vento, pedacinho por pedacinho. Sempre há um final, no final não há mais nada. As lágrimas fazem um nó, rasgando todo o resto até parar na garganta. É possível desatar um nó, mas tão estreita, torna-se impossível chegar lá. Onde é o ponto de partida? Das cores, do vento, das lágrimas, das lembranças, do eco e do nó. Abram-me o corpo e desatem esse nó. Dó. Não há escolhas.
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