Aqui, lê-se, drama e doçura.

Aqui, lê-se, drama e doçura.

Códigos e expressões em forma de linguagem;
não há sopros que empurrem o submerso, há submersão para dar voz ao sopro.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Silêncio

Ouvia-se apenas um coração que batia desesperadamente. Baixinho, a súplica e o pavor pareciam tomar conta do silêncio

- É, coração, aguente. Embora pequeno, sei que tem capacidade para continuar batendo. Faça um esforço, você pode, eu sei que pode.
Lembra-se de quando começou a bater? Começou bem devagarzinho, mas depois pegou o jeito. Depois você foi crescendo, oportunidades que te destruíram, mas mesmo assim nunca me deixou só. Quantas vezes você já chorou hein? Foram tantas, até parei de contar, teria que passar a vida toda assim. E os curativos, esses são inesquecíveis né? Eles ardiam tanto. E como você gritava... Eu lembro. Depois as machucados foram cicatrizando, mas ficaram as marcas. Então, olhe agora para eles, veja como você está forte, continue batendo, não me abandone.
Claro, tivemos momentos felizes, você lembra? A gente ria tanto que doía né. Doer... Faz lembrar dos nossos momentos de tristeza, você chorava baixinho durante a noite, o corpo todo ficava sensível com sua tristeza, pois tudo dependia de você.
Ah, já te meti em tanta encrenca, tantas vezes decidiu meus caminhos por mim, tantas vezes já quis que você parasse, mas continuou batendo, tantas vezes já menti pra você, e mesmo assim continuou sendo verdadeiro comigo. Eu fui uma má amiga, eu sei, mas não pare de bater por isso. É difícil, mas já enfrentamos tantas coisas juntos, faça um esforço e se lembre. Eu sei que já não tem espaço para mais cicatrizes, mas seja forte e não pare, esse ainda não é o seu limite. Eu te ajudo a não chorar mais. – As últimas frases falharam, as lágrimas rolavam e a impediam de continuar. Houve uma longa pausa - Ou não se force mais. Talvez poderemos nos reencontrar por aí e viver todas essas memórias novamente. Quem sabe...

O som do coração e a respiração foram ficando baixos até sumirem completamente. E o silêncio ficou absoluto, já não se ouvia mais nada.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Acordar

Os olhos se abrem. Acordar é ver o sol e sentir logo de manhã o gosto negro da destruição ao caminhar por essas poluídas calçadas. Usufruir o silêncio que fala pelo medo, pelo frio - o frio interior, aquele que gela o coração -, misturar o doce e o amargo do café e fazer do vento uma tênue sensação da tempestade.
O vento é um fenômeno que cura, parece sujo, mas limpa a alma das impurezas emocionais, do castigo de viver, de ter que abrir os olhos que doem ao ver a luz forte. Transformando então, tudo refrescante e prazeroso.

Há quem ache o sentimentalismo mais sincero de toda negatividade de um dia inteiro. Há quem viva com um sorriso diante as guerras, há quem acorde feliz e se envolva demais. Há quem abra os olhos agradecendo por estar vivo. O ser humano é inocente, uma inocência insana, pesada e que tapa os olhos do mundo, pois o que eles querem mesmo, não é ver o quanto o mundo é sujo, é sentir o quanto a beleza desse mundo pode ser retirado para ser feliz.
E os mesmos olhos que se abriram um dia, se fecham hoje com a sua maior pureza e inocência possível deste mundo.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Lute

Lute sem razão para lutar, lute porque é bom, lute pra espantar o nervosismo, o desânimo. Lute contra as travessuras e perturbações, lute para não ter um dia infeliz, para não se machucar e para viver, não sobreviver. Lute contra as cicatrizes, mas se o tiver, não desanime, pois as cicatrizes são resultados de boas lutas. Não lutas perdidas, mas aquelas duras lutas, e a sua sobrevivência, é a prova de que foi o vencedor.
Lute contra o que te magoa, contra a chuva e o vento, contra doenças. Lute para encontrar a luz, para se enxergar, que possa refletir, seja pensante e use sua inteligência para vencer as brigas do destino. Lute contra os olhos humanos, lute contra eles - todos eles -, eles te machucam e não acrescentam nada em sua vida – qualquer pensamentos que te depende dos outros é mera ilusão. A vida é solitária, só você e o vento. Lute contra ervas daninhas, contra o caos, lute para que não haja guerra em seu interior, lute para permanecer vivo.
Lute até a última gota de seu sangue.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Soneto da - minha - eternidade. Arthur Coimbra ♥

Você é a minha necessidade
a mais bonita realidade.
decifrando meu modo de amar
com mudos versos a recitar.

Sacia meu sedento coração
de pesadas ironias e nos dias de aflição.
Mostra-lhe a direção. E o leva consigo.
Longe do castigo. Fora de perigo.

Você é o mais doce das sinfonias.
E o deslumbrar das melodias
que falam de amor.

Você é o meu carinho, meus beijos, meu caminho.
Meu ímpeto de paixão
Para você, um soneto, e meu coração.

Eu te amo ♥

domingo, 5 de dezembro de 2010

O forte da vida humana é escapar dos erros e ignorar os acertos. É promover gratuitamente o banal e o desnecessário para a diversão, machucar sem intenção e sem querer. O mal do ser humano é não saber. Ele é emotivo e superficial, por isso, o machucado sente. Sente as dores da repressão e da destruição. O coração é sensível, estreito e não dura pra sempre. A humanidade não é perfeita, mas vive em busca da perfeição. Um caminho longo, árduo e cansativo - e sem necessidade, eu diria.

Pisotear é manter-se em pé.