Os olhos se abrem. Acordar é ver o sol e sentir logo de manhã o gosto negro da destruição ao caminhar por essas poluídas calçadas. Usufruir o silêncio que fala pelo medo, pelo frio - o frio interior, aquele que gela o coração -, misturar o doce e o amargo do café e fazer do vento uma tênue sensação da tempestade.
O vento é um fenômeno que cura, parece sujo, mas limpa a alma das impurezas emocionais, do castigo de viver, de ter que abrir os olhos que doem ao ver a luz forte. Transformando então, tudo refrescante e prazeroso.
Há quem ache o sentimentalismo mais sincero de toda negatividade de um dia inteiro. Há quem viva com um sorriso diante as guerras, há quem acorde feliz e se envolva demais. Há quem abra os olhos agradecendo por estar vivo. O ser humano é inocente, uma inocência insana, pesada e que tapa os olhos do mundo, pois o que eles querem mesmo, não é ver o quanto o mundo é sujo, é sentir o quanto a beleza desse mundo pode ser retirado para ser feliz.
E os mesmos olhos que se abriram um dia, se fecham hoje com a sua maior pureza e inocência possível deste mundo.
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